segunda-feira, 19 de agosto de 2013

VIDA EM VIRTUÁLIA

ARRET
A NOVA MORADA 
            O Retorno
dos
 Flores


            Acomodados na cabine de comando o Kobauski me perguntou:
            - Seu Lê, o senhor quer saber o que aconteceu com a nossa antiga morada?     
          - Sim, Comandante! É possível – perguntei-lhe e respondeu-me afirmativamente, e ordenou:
            - Major, tão logo retornemos ao tempo de onde saímos para deixar o discoide, e, antes de ajustar o rumo para Terra – II vamos passar nas imediações onde ficava nosso antigo planeta!
            - OK, Comandante! Em poucos segundos estaremos lá.
            Em trinta e um segundos a nave desacelerou e abriram-se as capas de proteção de todas as janelas da esfera:
            - Foi nesta região em que habitávamos, seu Lê. Não restou nada, aliás, nem poeira cósmica sobrou dele.
            - Mas, e a estrela em que orbitava a antiga morada, também não está mais aqui nesta região; onde foi parar?
            - Foi sugado pelo buraco negro, meu amigo e, foi tão rápido que está deixando nossos melhores cientistas em polvorosa – respondeu-me com um semblante preocupado.
            - O que pode estar havendo com esta região do universo, Comandante – indaguei.
            - Um fenômeno incompreensível. Existe um buraco negro nesta região que tem sua força aumentada a cada determinado período de tempo; as estrelas estão perdendo seus brilhos com maior intensidade, nesse mesmo período de tempo e, as partículas maciças de fraca interação – o que vocês estão chamando de WIMP -, não estão de aniquilando mutuamente quando se encontram.
            - Será que está para acontecer alguma hecatombe nesta região do universo, Kobauski?
            - Parece que sim, seu Lê, mas vamos retornar à rota rumo a Terra-II e buscar nossos amigos. Vamos cuidar primeiro, dos assuntos até onde podemos entender OK?
            - OK, Kobauski, eu te entendi!
           - Depois que deixar vocês em Virtuália vamos embarcar em uma expedição para o futuro desta região do espaço. Porém, vai depender de estudos que estão sendo feitos.
            - Que espécie de estudos, Kobauski – perguntei curioso.
        - Estamos finalizando um aparelho que permite captar ondas ou outro tipo de energia que tenha ocorrido em determinada região e capitada por este aparelho. Ele vai converter em imagens tais ondas ou energias. Daí, dependendo destas imagens iremos até lá.
          - Comandante, aproximamos de Terra – II! Onde desceremos – perguntou o major.
            - Em Big-Brazil, major! Não se esqueça de colocar a nave em sistema de camuflagem, OK?
            - OK! Comandante.
            - Olha seu Lê, como está povoada a ilha – falou Etevaldo quando entramos no espaço aéreo da ilha.
            - Tem razão, meu amigo e está parecendo ainda mais com a minha Terra nos primeiros séculos da era atual – respondi-lhe e pensei:
            - Como estará a família Flores? Não se passou muito tempo – em contagem terrestre -, desde a última vez em que aqui estive. Mas -” o tempo, quando se percorre uma determinada distância, num wormhole não dá para saber o que ocorrerá ¨-, como disse o Kobauski.
            - Estamos a trinta e um centímetros do solo na fazenda do Flores, Senhor – disse o major.
            - OK, major, descerão eu, Etevaldo e o seu Lê.
            - Comandante, posso ir à frente para fazer uma surpresa para o Juliano e o Beijo – pedi ao Kobauski.
            - Claro amigo! Olhe pelo visor da nave – disse-me apontando para uma das janelas da esfera, que estava com a proteção de navegação recolhida – lá está o Juliano!
            - Nossa! Será ele mesmo? Está mais parecendo uma personagem saída do tempo bíblico terrestre.
            Juliano estava cuidando de uma lavoura de mini-pepinos para conservas. Desci da nave camuflada, como se tivesse saído do nada , e caminhei alguns metros e disse-lhe, tirando-o da concentração do labor:
            - Grande Juliano, que prazer em revê-lo!
           - Eu só acredito porque estou vendo! Seu Lê, que prazerão! De onde o senhor surgiu?
     Quando ele disse isso a enorme nave-mãe saiu da camuflagem e Juliano se lembrou:
            - Já sei, chegou a hora de eu e a família Flores voltarmos para Virtuália?
        - Isso mesmo meu amigo; vamos retornar à vida de Virtuália!
            Quando me dei conta todos os humanos, de Terra-II, que estavam trabalhando na lavoura com Juliano, prostraram com o rosto no solo gritando:
           - Ele voltou como prometido! José Cristal voltou! Os anjos, arcanjos e os querubins voltaram!
            - Calma seu Lê – disse-me Kobauski que se aproximava como que já esperando por isso e notando meu jeito assustado.
            - Como vai Juliano – perguntou o Kobauski.
            - Estou ótimo – respondeu o Juju e quando viu seu filho de criação descer da nave-mãe, começou a chorar de alegria:
           - Etevaldo meu filho! Quanta saudade – falou isso e jogou-se nos enormes braços do arretiano-terráqueo.
        - Vocês todos nativos... voltem às suas casas – ordenou Kobauski com voz autoritária e todos obedeceram.
          - Vamos lá para casa – disse Juliano – todos estávamos aflitos com a demora de vocês em vir nos buscar.
            - Ok, vamos lá - disse o Comandante.
         Na sede da fazenda dos Flores, em Terra-II, após os cumprimentos e durante um saboroso almoço:
            - Então está acertado! Antes de anoitecer iremos para Hy-Brazil. Mas, tem um grande detalhe e muito importante.
        - Qual é esse detalhe Kobauski – perguntou o Zé das Flores.
   - Vocês só poderão levar para Virtuália somente o que trouxeram de lá, OK? Não tentem levar sequer uma única semente. Terão que passar pelos detectores ao entrarem na nave.
         - Tudo bem, Comandante, nós lhe obedeceremos.
    - Juliano, tens uma explicação para a reverência que os nativos prestaram a nós quando surgimos – perguntou o Kobauski.
       - Tenho sim! Vou relatar tudo. Vamos para o varandão, onde corre uma brisa fresca e conversaremos.
          No varandão, Juliano relata:
     - Para a população nativa de Terra-II os senhores são arcanjos, anjos e querubins. Sendo que você Kobauski é o todo poderoso, o senhor dos exércitos, o deus vivo. A esfera dourada é a “glória do Senhor” que surge do invisível e em silêncio. Desde a última vez em que aqui estiveram – há muitos anos, pela contagem terradoisiana -, surgiram muitos mitos, lendas e histórias. A mais interessante e perigosa foi a criação da lenda em que um messias que veio enviado pelos senhores dos céus.
            - Como assim Juliano – interrompi.
            - Inventaram que lá pelos lados do oriente médio, aqui de Terra – II, nasceu um menino, filho do senhor dos céus com uma humana deste planeta. Esse menino cresceu, sem ninguém saber como e onde vivia, e depois de adulto começou a falar de coisas dos céus e – dizem -, a fazer milagres. E foi por causa desses milagres que foi morto.
      - Quem, supostamente, matou esse messias, Juliano – perguntou o Etevaldo.
            - Segundo reza a lenda foram pessoas que afirmavam que ele era um reptiliano disfarçado de humano e que foi enviado das profundezas do espaço onde só há escuridão e ranger de dentes. Dizem que veio para Terra – II roubar os espíritos dos terradoisianos.
            - Como o chamavam – perguntei ao Juju:
            - José Cristal, pois diziam que ele era branco como a neve e tinha os olhos sem cor definida e os cabelos cacheados e compridos amendoados.
            - Como ele morreu – continuei o interrogatório.
            - Dizem que num ritual no qual pregam o indivíduo num enorme xis de madeira, de cabeça para baixo e é apedrejado até a morte.
        - Caramba, só falta me dizer “que ele subiu aos céus no terceiro dia depois de morto” – pensei comigo e perguntei:
      - Existem provas concretas de que isso seja verdade, Juliano?
        - Só relatos antigos falam dele, seu Lê, e, a lenda vem sendo passada de boca a boca há muito tempo.
            - E os restos mortais, acharam-nos?
          - Não, seu Lê, reza a lenda que depois de três dias de morto, e enterrado dentro de uma caverna, viram-no flutuando até sumir por entre as nuvens. Dizem que subiu aos céus numa esfera luminosa que estava escondida entre as grossas camadas de nuvens. Hoje existe em Terra – II várias religiões que o cultuam e, tais religiões, tem muito poder sobre o psicológico da população.
            - Ah! Ah! Ah! Essa historinha até parece plágio – falei às gargalhadas.
      - Então está explicada a reverência que nos prestaram quando chegamos aqui na sua fazenda, Juliano. Não precisa alongar mais a história – disse o Comandante e prosseguiu:
            - Seu Lê e Etevaldo vamos dar uma volta pelo planeta em uma nave menor e inteirar-nos da situação dessa humanidade in loco, porque de Arret ficou difícil monitorar os acontecimentos devido às perturbações da região da antiga morada. E vocês, Flores, ficarão se preparando para a volta à Virtuália, ok?
            - Kobauski, prefiro ficar aqui com os Flores preparando-os para a viagem. Você se importa – perguntei –lhe.
            - Claro que não, meu amigo! Iremos só nós dois filho!
            - OK, papai, então vamos.
        Após pai e filho arretiano saírem fiquei com Juliano perambulando pela fazenda:
            - Seu Lê, vou te mostrar uma planta que utilizamos para fazer uma bebida que o seu Zé das Flores criou. Olhe – disse Juju apontando -, são daquelas árvores ali. Se o senhor plantar uma semente dela hoje em, mais ou menos, trinta dias terrestres ela já estará crescido e dando frutos, porém logo após a terceira frutificação ela perece. Os frutos tem um gosto muito amargo e adocicado ao mesmo tempo. As sementes são parecidas com as de maracujá lá da Terra. Quer experimentar?
            - Claro, Juju, quero sim – falei isso e já fui colhendo umas três frutas do tamanho de um maracujá. O gosto realmente era muito amargo, mas na medida em que eu mastigava a polpa com a massa gelatinosa, que encobria as sementes, o gosto era de uma fruta nunca antes provada por mim e o Juliano me alertou:
          - Seu Lê, coma só uma, pois pode desarranjar os intestinos. Nós usamos as gelatinas que envolvem as sementes para fazer suco, xarope e, para curar problemas de fígado, fazemos chá com as folhas.
            - Mas que bebida vocês criaram com esta maravilha?
      - Na verdade não é nenhuma criação e sim um tipo de cerveja!
            - Cerveja, eu adoro cerveja e faz um tempão que não sei o que é uma boa e gelada cerveja, Juju!
          - Vamos lá para a sede da fazenda que tem algumas na geladeira. O Zé das Flores fez cerveja usando arroz no lugar da cevada e, em substituição ao lúpulo, usou estas frutas que chamamos de bosda. Ele usa só a polpa que é amarga e as sementes ele semeia nos campos, pois essa planta tem vida curta como já te falei, lembra?
           - Sim Juju, eu me lembro – respondi degustando mais uma bosda enquanto o Juliano colhia algumas frutas extremamente maduras e disse:
         - Vou levar essas três frutas maduras para o Beijo; ele disse que está com o intestino preso e se ele comer, pelo menos uma , em pouco tempo ele se sentirá bem!
          Chegando à sede da fazenda encontramos o Zé das Flores e um casal jovem de nativos e o Zé das Flores disse:
            - Seu Lê, este é o casal Lion, ou seja, Flora e Anton; eles ficarão com está fazenda. Dei-lhes de presente porque são os que têm jeito para continuar com esse negócio de fazenda e produção de conservas de mini-pepinos.
            Cumprimentei o casal e o Anton falou:
            - Nós aceitamos, mas temos que nos reunir com os outros trabalhadores e informar-lhes o fato. Eu vou chamar cada família para vir aqui à sede e tomar ciência da decisão, OK?
            - Pelo jeito o senhor escolheu o casal certo, seu Zé! OK, Anton, mas apresse-se que no início da noite iremos embora – terminei a frase e o casal saiu rapidamente para fazer o que disseram.
            Enquanto conversava com os Lions, Juliano trouxe-me duas garrafas da cerveja e na temperatura ideal para ser consumida:
          - Aqui está a cerveja produzida pelo seu Zé; prove-a seu Lê!
            Coloquei o primeiro gole na boca e segurei por alguns segundo e engoli e soltei a expressão:
      - Putzgrila... que delícia! Não pensava que seria tão saboroso, seu Zé!
    - Mas é, meu amigo! E tem um  porém, a bosda, que substitui o lúpulo, durante o processo de elaboração produz gás além do necessário. Ceio que é daí que vem a diferença além, é claro, do sabor amargo e adocicado ao mesmo tempo.
        - Essa bebida lá na Terra causaria uma revolução no mundo das grandes cervejas – disse-lhes.
            - Mas não tem como produzi-la lá, seu Lê! Lá não existe a bosda e não podemos levar daqui – disse o Beijo que prestava atenção em tudo enquanto devorava as frutas maduras trazidas pelo Juju.
            - “Creio que é por isso que o Kobauski não permite que levemos nada daqui ou de qualquer outro planeta em que visitamos. É para evitar possíveis conflitos lá na Terra” – pensei comigo.
            Conversávamos alegremente sobre tudo até por volta das dezessete horas local quando ouvimos um murmurinho vindo do lado da porteira principal da fazenda:
            - Papai, vem vindo uma multidão sem fim para cá e estão cantando hinos de louvor a José Cristal. Quatro pastores vêm à frente dessa multidão puxando a cantoria – falou Margarida uma das gêmeas mais velha das filhas do seu Zé.
            Nesse mesmo instante chegaram o Kobauski e Etevaldo, após guardar a pequena aeronave de reconhecimento na nave- mãe e, foi Kobauski quem falou:
      - Temos que partir agora e...- o Comandante foi interrompido por Anton Lion que chegara com os moradores da fazenda e pedi autorização ao Comandante para falar e este consentiu:
            - Habitantes desta fazenda, prestem atenção no que vou falar! A partir de agora o casal Lion é o novo dono desta fazenda e tudo continuará como antes. Queremos que vivam em harmonia até nossa volta num futuro breve! Entenderam?
            - Sim, querido Cristal! Nós o entendemos disse um dos amigos do casal - e pensei comigo:
            - “Caramba o sujeito me chamou de Cristal! Temos que partir antes que a população da ilha toda chegue aqui!”
            Nem precisei falar nada e o Kobauski ordenou:
            - Seu Lê e família Flores, todos para a nave mãe agora – falou isso e fez um gesto e a esfera dourada apareceu:
            - Ohhhhhhh! A glória do Senhor apareceu – gritava os trabalhadores da fazenda.
            Entramos na nave-mãe e nos acomodamos e dava para ver e ouvir o que os pastores falavam, quando chegaram à sede da fazenda:
            - Vejam irmãos, a família Flores foi escolhida para subir aos céus. José Cristal voltou e a levou. Em breve eles retornarão e levarão aqueles que nos seguir e ouvir nossas palavras – e todos repetiram em um só som:
            - Oh! Glória...  Oh!Senhor, aleluia!
            “Pensei comigo: -” Os espertalhões existem em todos os cantos do universo, barbaridade!”
      - Senhores, já que estão todos acomodados creio que podemos partir!  Certo Comandante – disse o major-piloto-chefe.

            - Pode partir major – disse-lhe Kobauski.


Continua dia 24/08/2013 em:
O
Retorno 
Ao 
Vale Virtualiano
Do
 Rio do Peixe

domingo, 11 de agosto de 2013

VIDA EM VIRTUÁLIA: Resgate das Meninas

ARRET
A NOVA MORADA

O RESGATE
 DAS
MENINAS


        - Etevaldo, meu filho, vai até a nave-mãe, além do portal, e descubra o paradeiro. Enquanto isso vou ficar colocando as nossas conversas em dia com meus amigos – disse o comandante ao terráqueo-arretiano.
        - OK, pai! Serei rápido!
        - Seu Lê e Nhô preparem-se, então, para partirmos em busca das meninas. Tão logo o Etevaldo volte com a informação iremos atrás dos – como vocês os chamam -, Greys, OK?
        - OK, Comandante! Mas, o que querem esses seres com uma senhora coma mais de sessenta anos e uma menininha de quase um ano – perguntei ao chefe dos arretianos e continuei:
        - Por que não levaram uma pessoa com idade mediana?
        - Esses seres entraram, provavelmente, no portal errado, seu Lê; eles deveriam ter passado por um portal que se abre no Tibet, como fazem outros da raça Grey. Tenho, para mim, que eles aproveitaram para levar as meninas como banco genético. Talvez, após fazer as coletas dos sangues e peles delas, eles as soltem em qualquer lugar deste planeta.
        - Issu num pódi acontecê, Kobausqui. Minhas mininas nunca saíru desti vali – disse aflito o Nhô.
        - Calma, meu amigo, nós as acharemos antes disso! Olhem, lá vem o Etevaldo com a resposta – apontou o Comandante em direção ao portal.
        - Pai, eles vieram de algum canto da Constelação de Orion. Creio que de lá é que procurarão o wormhole correto para irem ao destino que queriam antes. Pelo visto é a primeira vez que utilizam esse tipo de viagem – disse o Etevaldo.
        - Peraí, Kobauski! Como você deduziu que esses Greys amarelos querem ir à região da China?
        - Não é lá que predomina a raça que denominam “raça amarela” na face deste planeta? – Respondeu o Comandante com esta pergunta.
        - E tem outra coisa – prosseguiu falando -, não são hostis, pois, se fossem teriam aniquilado vocês dois.
        - Mas porque será que não nos levaram juntos – perguntei –lhe.
        - Pelo simples fato do excesso de peso na aeronave. O tipo ultrapassado das aeronaves deles consome muito combustível com excesso de peso. Eles próprios não pesam mais do que 38 quilos aqui na gravidade da Terra.
        - Vamos pai, temos que acelerar e pegá-los antes que saiam do nosso wormhole de navegação – alertou o Etevaldo.
        - Seu Lê e Nhô, vocês irão conosco – determinou o Comandante.
        - Ieu nem ia dêxá di í nunquinha, meu amigu. Vô lá nu sítiu fechá tudu i sortá u Bittencourt nu pastu. É dois palitu, eh!Eh! Eh!
        - Vamos todos na Vermelhona, Nhô. O Etevaldo e o Kobausqui vão sentados na caçamba, OK?
        - Tudo bem seu Lê – respondeu o Comandante e perguntou:
        - Será que ainda tem carambolas maduras no sítio, Nhô?
        - Tem dimais meu amigu! I tem abil tamém!
        - Abil, Nhô – perguntou salivando o Etevaldo.
        - Sim Etevardu i nunca nasceru uns tão bitelão; você vai gostchá mais ainda.
       
        Meia hora depois de estacionar a GMC sob a sombra de um frondoso flamboyant, todos entraram no portal:
        - Parece um sonho toda vez que passo pelo portal e entro nessa zona neutra, Kobauski! Peraí, essa nave é diferente! Apesar de ser redonda e dourada, tem esses anéis aos seu redor – falei isso e o Kobauski fez um sinal e, desceu da parte inferior da esfera, que estava a três metros do chão, um tubo de dois metros e meio de diâmetro e nele abriu-se uma porta.
        - Entremos! Lá dentro lhes explico senhores – disse o Comandante.
        Dentro da nave, no compartimento de comando:
        - Como pode ver senhores, daqui dá para ver, praticamente,  360º do lado de fora. O que fica sob nossos pés vê-se nesta tela holográfica – falou isso e apertou um botão em sua mesa e surgiu em nossa frente à imagem do solo embaixo da nave.
        - Esses anéis, senhores, é invenção recente e nos permite viajar no tempo do lugar onde estivermos.
        - Chiiiiii, agora é que complicou, pois eu pensava que essas idas a Terra II era uma volta ao passado desta nossa querida Terra – pensei comigo.
        - Seu Lê, para não complicar sua “cabeça” não usaremos essa espécie de máquina do tempo. Pelo menos por momento. O que importa agora e seguir, os Greys amarelos e resgatar as meninas, nós... – Kobauski foi interrompido:
        - Comandante, podemos partir? Já localizamos o wormhole, as duas medalhinhas com os chips e, por conseguinte, a nave discoide!
        - Sim major, partamos imediatamente!
        Acomodados na sala de comando da nave-mãe, eu e o Nhô vimos quando alcançamos – a uma velocidade indecifrável-, o discoide e, nossa nave, emitiu um elevadíssimo campo magnético, de uma força desconhecida pelos terráqueos, e o discoide ficou paralisado próximo à nossa nave.
        - Major, vamos retornar ao portal das pitangueiras levando junto o disco dos Greys; lá libertaremos as meninas.
        - OK Comandante – disse o major.
        Numa fração de tempo estávamos do outro lado do portal próximo ao sítio. Víamos todo o vale do Rio do Peixe, de dentro da nave-mãe:
        - Óia, seu Lê, u Bittencourt tá pastanu longi dus domíniu deie. Eita pangaré disobedienti sô, eh!Eh! Eh!
        Paramos com as espaçonaves no intervalo entre o virtual espaço do vale virtualiano e o mundo além das pitangueiras.
        - Major, abra todas as portas do discoide! Vamos lá seu Lê e Nhô! Não precisa ter medo que todos os Greys estão imobilizados lá dentro do disco.
        - OK, Comandante! A Xerê e a Ritinha também estão na mesma situação – perguntei e Kobauski respondeu-me sorrindo:
        - Esqueceu novamente das medalhinhas, meu amigo?
        Dentro da nave dos Greys:
        - Antônio, meu herói, você veio nos salvar dos chupa-cabras – gritava Xerê com a Ritinha nos braços.
        - Eh! Eh! Eh! Qui bão qui ôces tão boa, minhas minina. Num sô herói não, minha nêga; u herói aqui é u Kobausqui!
        - Obrigado seu Kobauski – agradeceu a bisavó da Ritinha.
        - Eles fizeram alguma coisa com vocês Xerê – perguntei preocupado.
        - Não seu Lê, acho que não deu tempo, ôces chegaram rápido demais!
        - Etevaldo, ajude-os a transpassar o portal e depois vamos dar uma volta no passado deste local da Terra e deixar esses greys perdidos no tempo. Eles vão demorar um bocado para achar o caminho de volta. O senhor quer vir junto, seu Lê?
        - Claro! Ainda pergunta – respondi.
        - Então despeça do Nhô, das meninas e vamos partir. Vamos aproveitar e iremos, depois, direto para Terra – II buscar a família Flores, ok?
        - OK! Ótima ideia Comandante.
        Ao despedir-me dos meus amigos de Virtuália, falei ao Nhô:
        - Nhô, por favor, deixe a Vermelhona guardada no galpão do sítio, pois não sei quando retornarei OK?
        - Craru, Misifiu, vô dá uma acelerada néia, eh! Eh! Eh!
       
        - Major, vamos retroceder sessenta e seis anos terrestre no tempo deste planeta e deixar o discoide livre!
        - OK, Comandante!
        - Kobauski, você nem conversou com o comandante deles! Não te interessa saber o que eles queriam com as meninas?
        - Conversei sim, seu Lê, de uma maneira que você não conhece! Fiquei sabendo que eles saíram de outra dimensão por engano quando se perderam de uma expedição. Pegaram as meninas por pura curiosidade. Quando viram as medalhinhas quiseram retornar, mas não sabiam como. Aí foi que nós... – Kobauski foi interrompido:
        - Comandante, retrocedemos os sessenta e seis anos e estamos numa área deserta!
        - Que data mostra o visor do tempo, Major?
        - Vinte e duas horas de dois de Julho de um mil novecentos e quarenta e sete, Kobauski! Chove muito nessa área, senhor!
        - OK, deixe que o discoide se desprenda da força magnética e se vá! Vamos voltar para o tempo anterior e de lá rumaremos para Terra-II!
        - OK, senhor!
        Eu vi, de nossa nave, que sobrevoávamos uma fazenda numa área com pouquíssima população. Passamos serenamente sobre uma rodovia asfaltada e pude ver e ler, no idioma inglês,  num outdoor:
        “Compre terras nesta área que serão valorizadas num futuro breve. Procurar por John Smith Woody em Roswell...” – pensei comigo:
        - Caramba!  Estamos sobrevoando o estado do Novo México nos Estados Unidos! E a julgar pela data e pelo nome Roswell naquele outdoor...só pode ser o local onde caiu um disco voador no ano de 1947. Eu me lembro do “Caso Roswell”, pode ser, mas é muita coincidência mesmo!
        O Comandante pediu para o Major ganhar altura e retornarmos ao wormhole e foi o que ele fez logo após soltar o discoide. De repente só dava para ver, pelas amplas áreas de visão da nave-mãe, cores, escuridão e repentinos clarões. Kobauski me alertou;
        - Seu Lê, em poucos segundos estaremos em Terra-II.


Continua em 20/08/2013:
O Retorno
dos
 Flores

domingo, 4 de agosto de 2013

ARRET
A NOVA MORADA


UMA NOVA RAÇA
           - Ah! Como é bom respirar este ar puro do Vale do Rio do Peixe; como eu me sinto revigorado e descansado quando chego aqui!
            Saí da rodovia principal e entrei na estrada rumo ao sítio do Nhô e pensei em voz alta:
            - Neste momento o meu velho amigo deve de estar preparando o café da manhã, pois, são cinco e meia. Ele vai ter uma surpresa ao me ver dois dias antes da partida para Terra – II. Vou fazer uma brincadeira com o “Véi”; vou parar a GMC bem antes do sítio e seguir a pé. Vou entrar pelos fundos e surpreendê-lo no varandão da cozinha, ah!Ah!Ah! Vou pregar uma peça nele! – e foi o que fiz, porém, ao chegar de mansinho pelo varandão, ele não estava lá e nem na cozinha. A mesa do café estava posta e tinha: café fresco coado a pouco, broa de milho, mandioca cozida e passada na manteiga, pão doce feito pela Xerê, ovos mexido com bacon de java-porco, suco de graviola, mas... nada do Nhô!
            Ao dar meia-volta, para ver se ele estava na horta, dei de cara com ele e:
            - Eh! Eh! Eh! Querenu pregá uma peça nu véi, Misifiu?
            - Caramba! Que susto Nhô!
            - Eh! Eh! Eh! Ocê si isqueci qui ieu sô um cabocru ispertu, seu Lê?
            - Tá certo, Nhô, ah!Ah!Ah! Como vão as coisas aqui pela região?
            - As cousa vão boa puraqui , seu Lê!  Vamu tomá café mais ieu. Deixei a mesa perparada, eh! Eh! Eh!
            - Então o senhor sabia que eu viria, “ Véi”?
            - Ôce mi cunhci cumu a ôce memu, num é seu Lê, eh! Eh! Eh!
            - Tem razão, ah! Ah! Ah!
            - I a patroinha, iela vai bem?
            - Ótima, ela está ótima, meu amigo!
        - Ôce vêi prá í im Terradois cum Kobausqui, Misifiu?
       - Sim Nhô! Vou aproveitar para tirar um descanso antes.
            Tomávamos aquele café da manhã, digno de um hotel cinco estrelas, quando perguntei ao Nhô:
      - O senhor tem alguma novidade, meu amigo?
    - Tê inté qui ieu tenhu, Misifiu, mas ôce vai oví cus seus própriu zuvidu!
            - Como assim, Nhô?
            - Daqui um poco, quandu u dia cumeçá a crareá ôce vai oví. Já qui terminamu u café, vamu lá prô teu cafofu qui tarveis ôce vai oví mió – fomos até minha morada, no morrete, que dava para ver grande parte do vale e, também o portal das pitangueiras. Assim que estacionei a GMC, e desci, começou um som estranho:
            - Prontu, começô! Tá ovinu, Misifiu?
            - Sim, Nhô! Parece que uma porta enorme se abrindo e com as dobradiças enferrujadas.
      - Tem veis qui pareci um ventu forti assubianu mais, sem u ventu. U qui pódi sê issu, Misifiu? Ostru dia apareceu aquéias luiz dançanu nu céu. Já era mais di quatru i meia da tardi i parecia qui iela dançava conformi a muisica. eh! Eh! Eh!
            - O clima aqui no Vale Virtuliano do Rio do Peixe tá estranho, Nhô. Talvez o Kobauski nos diga o que está acontecendo.
            - É memu seu Lê e despois di amanhã ieli vem ti buscá num é issu?
            - Sim, “Véi”, depois de amanhã ele chega por aqui e irei com ele buscar a família Flores de volta de Terra-II para Virtuália.
            - Nhô, vamos até perto das pitangueiras que eu tenho a impressão que o som vem de lá. Vou levar uma filmadora portátil digital e tentar filmar alguma coisa, além de gravar os sons.
            - Vamu sim patrãozin – disse animado o meu amigo.
            Chegando próximo à área do portal:
            - Cruizincredu, Misifiu, u baruiu pareci rangê di denti – observou o Nhô.
            - É mesmo, “Véi”! Esses barulhos saem realmente de entre as duas pitangueiras.  E por falar em pitangueiras, repare como a que podamos está com os frutos maduros! E como são grandes, Nhô!
            - É memu, seu Lê, são mais maió qui a qui não foi podada. Vamu isprimentá u gostchu deias?
            - Vamos Nhô! Caramba, como esse som é ensurdecedor e irritante! Alguém mais já reparou nesse barulho?
            - Qui ieu e a Xerê saiba não, seu Lê. Essis baruiu começô treis antonti.
            Saboreamos algumas pitangas e estavam com gosto espetaculares e o Nhô disse:
         - As qui coiemu da árvi qui num foi podada tão mais gostosa; num é seu Lê?
            - Tem razão, Nhô! Mas, as da outra não estão tão ruim, apenas maiores.
            - É divera, pareci qui u gostchu si ispaiô, eh! Eh! Eh!
            De repente o som parou e um foco de luz começou a aparecer entre as duas pitangueiras. Era como o brilho da solda elétrica e foi aumentando, aumentando...
            - Vamu “cascá fora”,  Misifiu! Tá vinu arguma coisa isquisita pelu portá! Ieli nunca briô dessi jeitu!
            - Tem razão! Vamos para detrás daquelas rochas – falei isso e puxei o meu amigo e ficamos quietos, observando e eu gravando tudo.
      De repente o portal se abriu completamente, mas, a claridade que saia dele tinha a cor amarela fosforescente e...
            - Óia, seu Lê, qui qui é aquilu? Parece dois pratu giganti di alumin sainu du portá – coxichou o Nhô.
            - Caramba, parece um disco voador! Não parece nem com nave arretiana e nem com as dos reptilianos. Vamos ficar quietos só olhando, OK?
            - Tá bão, sô!
      A nave, em formato de dois pratos sobrepostos, saiu do portal - que se fechou em seguida - ficou pairando a dois metros do chão, em total silêncio. Não se ouvia mais os barulhos estranhos. O brilho da nave foi se apagando e ela ficou opaca. Na parte de baixo saiu um tubo de mais ou menos um metro de diâmetro e nele uma porta se abriu por ela saíram duas criaturas.
      - Olha Nhô, são seres  diferentes dos que conhecemos. Mas já vi desenhos deles em revistas que falam em vidas extraterrestres. Eles são “conhecidos” como Greys.
            - Ielis são amarelu i zoiúdu, seu Lê. Tem u corpu piquenu e...
            - Fale baixo, “Véi”! Não sabemos se são hostis! Acho que não notaram a nossa presença. Vamos só observar o que vão fazer.
            Vimos quando um dos seres apontou o dedo para a nave e ela subiu verticalmente e desapareceu entre as nuvens num brilho fantástico.
            Ficamos olhando para o sumiço da nave quando voltamos nossa atenção para os greys amarelos e estes haviam sumido.
            - I agora. Seu Lê, prá dondi foi us zóuidu amarelu?
            - Talvez tenham entrado na nave sem que tivéssemos percebido; talvez tenham notado nossas presenças e se esconderam ou, quem sabe, se tornado invisível aos nossos olhos.
            - Qui treim di doidu sô! Vamu lá pru sítiu seu Lê. Vô arriá u Bittencourt na carroça i levá uns sacu di fejão lá prá cooperativa. Ôce vai mais ieu?
            - Vou sim, Nhô! Tenho que conversar com o delegado Carabina. Talvez ele tenha ouvido falar alguma coisa sobre isso ou se alguém tenha falado a ele sobre alguma coisa estranha nesses dias. Mas, quem deve nos falar sobre esses seres será o Kobauski.
            - É memu, Misifiu!
            Passamos na minha morada e deixamos a câmara lá. Nem me interessei em ver o que tinha gravado devido a nossa pressa. Fomos andando e proseando até ao sítio naquela agradável manhã ensolarada, porém, com muitas nuvens brancas no céu.
            - Sabe seu Lê, dessis mundu qui a genti conheceu, nada é mió qui esti du vali du Riu du ... – o Nhô parou de abrupto:
       - O que foi Nhô? Viu alguma coisa estranha?
            Nhô apontou para a varanda da cozinha da sede do sítio e falou com os olhos arregalados:
            - Ieu achu qui vi um dus zóiudu amarelu intranu na varanda, seu Lê!
            - Para com isso “Véi”! Não é hora para brincadeira!
            - Num é brincadêra seu Lê, tava venu memu, óia lá – falou-me apontando com o dedo.
            - Caramba, Nhô, eles vieram para o sítio! Vamos apressar o passo para ver se conseguimos pegá-los!
            Ao chegarmos perto, um dos seres, jogou um artefato aos nossos pés que, ao espocar, soltou uma fumaça amarela e ao aspirarmos não conseguimos nos mexer, porém víamos e ouvíamos tudo. O outro ser estava com o cesto da Ritinha e com ela dentro, dormindo. A Xerê estava paralisada de medo e não conseguia nem gritar; sequer falar.
            - Nhô, essas criaturas estão levando a Ritinha – falei ao meu amigo.
            - Ah! Meu São Nunca du Vale du Riu du Pêxe é memu, Misifiu, i nóis num podemu fazê nadica di nada! Pára aí seu bichu fêi, dêxa minha netinha em paiz!
            De nada adiantou o Nhô gritar e praguejar. O pior é que levaram a Xerê também. Em questão de minuto a névoa amarela dissipou e o efeito paralisante cessou, mas, era tarde demais; os seres fugiram levando as meninas.
            - Vamos pegar a GMC e acelerar até ao portal Nhô. Eles devem ter ido para lá! – gritei.
            Quando estávamos chegando próximo ao portal deu, ainda, para ver a nave entrando por ele e, em seguida, o portal se fechou.
            - I agora, Misifiu, u qui será di mim sem as minha mininas? U qui será déias? – falou-me o velho amigo com os olhos marejados e voz embargada.
            - Calma Nhô, vou contatar o Kobauski agora e ele virá imediatamente – acalmando-o, falei e do volante da Vermelhona firmei meu pensamento nos arretianos e no Kobauski:
            - Óia , seu Lê, u portal está clareanu comu di primeiru – gritou o Nhô.
            - São os arretianos, “Véi”! Eles estão atendendo meu chamado!
            Descemos da caminhonete! O Kobauski, junto com o Etevaldo, atravessaram o portal:
            - Bom dia meus amigos! Seu Lê, pela concentração de seu pensamento em Arret, pude perceber que a situação é grave – falou-nos o Comandante.
            Em questão de dez minutos, após os cumprimentos, colocamos nossos amigos a par da situação:
            - Seu Lê, o senhor não imagina como tem civilizações extraterrestres interessadas na vida de Virtuália. Esses seres, pelo que me descrevestes, não são hostis. Vocês falaram do tal som que saía de entre as pitangueiras, certo? Poderiam me descrever como era, se possível?
            - Vou fazer melhor, Kobauski, vamos até minha pousada que te mostrarei imagens, pois, gravei tudo desde antes de eles chegarem pelo portal – falei esperançoso.
            No meu cafofo:
            - Bonita residência – elogiou o Etevaldo – o seu Lê pensou em tudo, não é papai?
            - Tem razão, meu filho! As portas, janelas e o “pé-direito” do imóvel foram feitos para abrigar criaturas do nosso tamanho. O senhor construiu pensando na gente, seu Lê?
            - Com certeza meus amigos! Era o mínimo que poderia fazer por vocês.  Vou conectar a câmara à TV HD de tela grande e veremos se os reconhecem – falei aos arretianos. A gravação, da imagem inerte, iniciou antes de o portal se abrir para o disco voador atravessá-lo, pois, quando o portal clareou a imagem sumira.
            - Está bom, seu Lê! Só com esse som dá para descobrir tudo. Vamos passar essa gravação ao nosso sistema de localização na nossa nave-mãe, que está além do portal e, pelo som, saberemos quem são e de onde vieram. Esses sons nada mais são de um método de burlar os códigos e entrada pelo portal.
          - Então temos uma esperança de buscarmos as meninas, Nhô!
            - Minhas preces foi atendida, seu Lê!
            - Vocês esqueceram-se das medalhinhas – perguntou-nos o Etevaldo.
            - É mesmo, Nhô, as medalhinhas – gritei de alegria.
            - Pois é, meus amigos, está aí uma das utilidades delas. Será fácil encontrarmos  as garotas – falou-nos o Kobauski.

Continua em 11/08/2013 em:
O RESGATE
 DAS
MENINAS